sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Público ou privado?

Bom dia a todos! Aqui quem fala é o Galeto Gritador, que dará seus pitacos todas as sextas-feiras. Meu tema será Esporte e alguma outra coisa, pois vou alterar de semana para semana. Nesse primeiro post será Esporte e Estado.

Primeiramente, peço desculpas a todos os outros cretinos por fazer uma coluna séria. Sei que vão lamentar e achar a coluna meio certinha e chata demais, mas não consegui não falar disso esta semana.

É público e notório que o Brasil será a sede da Copa do Mundo de futebol de 2014. O anúncio, em 30 de outubro, levou para Zurique, na Suíça, o ex-jogador Romário, o escritor de best-sellers Paulo Coelho e uma legião de Governadores. E é nesses últimos que mora o problema.

Ricardo Teixeira, presidente da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) e principal arauto e organizador da Copa, propaga aos quatro cantos que o evento será financiado pela iniciativa privada, nada de dinheiro do erário, tudo diferente do recente Pan-Americano e seu estouro no orçamento bilionário, totalmente financiado pelo Estado. Mas o trem da alegria de governadores já demonstra que grande parte do investimento virá do Estado, numa ávida corrida por dividendos políticos.

Porém, esta corrida fundamenta-se apenas em jorrar dinheiro público em modernas arenas, que demonstrem a capacidade brasileira em produzir maravilhas arquitetônicas e resultem numa maior possibilidade de lucros, sejam eles conseguidos lícita ou ilicitamente. Enquanto isso, na Fonte Nova, sete pessoas morrem ao serem abruptamente tragadas por um buraco surgido na estrutura do antigo estádio, que nunca passou por uma reforma geral desde sua inauguração, em 1951.

Isto demonstra a total incapacidade e, pior, impossibilidade do Brasil realizar a Copa. Como é possível um país prometer palcos de 200 milhões (orçamento inicial, bem sabemos, infelizmente, que os números devem subir) e não dar um mínimo de condições para a realização de partidas no país, com clubes em todas as divisões vivendo à míngua, comendo na mão da Globo e seus direitos de transmissão. Vejam que nem entrei na questão da falta de investimento em educação, saúde, saneamento básico, entre outras coisas básicas para a vida, tão negligenciadas no país.

No centro de tudo, a CBF e seu presidente (seria melhor dizer monarca?). E aí eu justifico o título do post. O futebol é um patrimônio histórico, popular, cultural do povo brasileiro (como quer deixar explicitado no projeto de lei nº.1429/07 o deputado Silvio Torres, do PSDB) ou propriedade privada de alguns, usado para beneficiá-los e enriquecê-los, sem qualquer contraprestação ou passível de questionamentos populares.

A seleção brasileira já lucra milhões com seus contratos, sem redistribuir nada a ninguém. A Copa seria só a cereja no bolo para um bando de usurpadores. Dessa forma, o futebol mais uma vez mostra-se como um reflexo claro da sociedade brasileira. A eterna não distinção entre o que é público e o que é privado, que transforma tudo numa coisa só, com a política da troca de favores imperando por todos os lados, seja no funcionário público que beneficia o amigo, seja no governador que investe milhões em obras para ter um jogo da Copa e ficar eternamente marcado como aquele que trouxe o evento para seu Estado.

A Copa não é o problema. Problema é o que vão fazer com ela e com todo o dinheiro investido. Já que será aqui, a solução é fiscalizar, cobrar, exigir prestações de contas e fazer com que ela não seja uma festa pra inglês, alemão ou qualquer outro povo ver, com estádios magníficos e hotéis maravilhosos para turistas e elite, enquanto que o povo e os Estados não agraciados continuam na mesma situação de antes. Que ela seja uma celebração nacional e um marco na transformação desse país para uma nação de fato.

1 Comment:

Ornitorrinco Mono Holandês said...

seu inicio de post me lembra o carro velho Galeto

"aqui quem fala é...."

http://www.youtube.com/watch?v=K6lO1rfW6F8