terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Por que todo mundo fala mal de Paulo Coelho?

Hoje, caros cretinos, peço vênia aos amigos para invadir temas alheios, sem, no entanto, desviar da minha cruzada literário-esotérica. Trataremos hoje de Paulo Coelho, e ao falar do Mago, não se pode não falar de música. Baron Delceur, figura tão dissonante que é, precisa me perdoar por dar pitacos na sua esfera.


Ao assunto. Quem nunca se pegou falando mal de Paulo Coelho numa rodinha de amigos pretensamente intelectuais que atire a primeira pedra. É sempre a mesma história: basta alguém tocar no assunto, citar um bom livro, falar de um ruim, e sempre vem uma voz de chacota e escárnio e ironia a dizer: Bom mesmo é Paulo Coelho! E todos caem na risada! Afinal, todo intelectual, toda pessoa culta sabe que Paulo Coelho não é literatura.


Vamos cutucar a onça. Alguém aí já leu Paulo Coelho? Da minha parte, posso dizer que li quatro páginas de O Diário de um Mago e dois contos de outro livro que não me recordo. Muito antes, todavia, já era eu pródigo nas palavras quando a pauta era falar mal do escritor mais vendido (ambíguo não é?) do mundo. E ainda hoje, ter lido fragmentos não me dá o direito de meter o bedelho nos livros alheios.

O leitor se for um cretino, certamente se identificará com o que acabei de dizer. Parabéns pelo momento de auto-crítica! Somos todos vítimas do consenso presumido, dessa informação pasteurizada pelos grandes caciques da opinião pública, deglutida por nós em doses homeopáticas todo santo dia e todo dia de santo também.


Ao que ainda não se convenceu, eu insisto. Pela vias musicais. Anda ouvindo Raul Seixas? Então o senhor também anda desfrutando da sabedoria mística do Mago brasileiro. Não ouve Raul Seixas ou é partidário daqueles que dizem que as composições eram feitas apenas pelo Rauzito, e que o mago charlatão apenas assinava junto, na camaradagem? Cada um com suas conspirações malucas. Mas note que Paulo Coelho já compôs para nada mais nada menos que (explosão) Elis Regina. Nãooooooooooo! Ela não! Ninguém mexe com os monstros sagrados da boa música maculando-os com a malévola influência populesca de um escritorzinho de livros de auto-ajuda! Tudo bem, mas então esqueça que Elis um dia na sua vida gravou a canção “Me deixa louca”. Mas você adora essa canção? Pois é, agora você vai ouvi-la trancadinho no seu quarto. Afinal, que é que os seus amigos vão pensar de quando descobrirem que você não conhece absolutamente nada de musica e poesia, pois sequer distingue um bom compositor de um mal compositor? Logo você, que falava tão mal de nosso ilustríssimo imortal...

Cretinos, temos de fazer um Mea Culpa. Eu começo para incentivá-los. Adoro Raul Seixas e não acredito que ele fez tudo sozinho. Gosto de Elis Regina e inclusive da composição do Paulo Coelho. Não li o suficiente para criticar seus livros e quando o faço, é pela piada pronta que eles se tornaram entre aqueles que amam fugir do mainstream. A minha ojeriza vem dos dogmas e preconceitos que carrego contra o esotérico, o místico e o popular e da inclinação que tenho em aceitar o que todos dizem que é bom sem comprovar. Eu sou humano afinal! Que divina revelação! Ah, consciência limpa, finalmente tu retornas a casa que deixou!


Dica literária da semana: Qualquer livro do Paulo Coelho. Se você não gostar, pelo menos terá argumentos pra explicar porque não gostou.


Conselho espiritual da semana: Faça um Mea Culpa sempre que puder


Som bacana: Gita – Raul Seixas




1 Comment:

Anônimo said...

Pode até ser que Paulo Coelho tenha ajudado Raul Seixas em suas composições, porém, depois da morte de Raul, Paulo Coelho foi se tornando esquecido. Esquecido sim, mesmo ajudando Rauzito... E isso é indescútivel. Eu, que vos falo, fiquei um bom tempo sem nem lembrar dele, assim como muitos que conheço desde então. Agora, eu, que vos falo, te pergunto: onde esteve Paulo Coelho enquanto Raul sofria sua crise de loucura? Pois é, lá, ele não estava. E sobre suas obras... Bom, Paulo Coelho não é um literário... Deve ele ganhar algum mérito por isso?