domingo, 2 de dezembro de 2007

Sobre televisão...

Com o início das transmissões de TV digital no Brasil, ou melhor, na Grande São Paulo, hoje decidi falar um pouco sobre essa “revolução” das telecomunicações. Sei que minha coluna é sobre cinema, mas acredito que televisão e cinema são coisas bem ligadas.

Primeiro ponto: a escolha do padrão japonês. Sob a desculpa de que o padrão japonês traria maior mobilidade para o sistema e de que seria o mais adequado para a realidade de nosso país, nosso “grande ministro” Hélio Costa, notadamente relacionado ao lobby da máfia das telecomunicações, resolve implementar o sistema japonês. Qual seria a razão política? Em síntese, o sistema europeu possibilitaria a multi-programação, através da transmissão de múltiplos canais SDTV a fim de comportar a demanda reprimida por mais emissoras. Surgindo portanto novos canais abertos que pudessem concorrer com as atuais emissoras. Porém, como sabemos as corporações que dominam este setor jamais permitiriam que a televisão pudesse ser de alguma forma “democratizada”. Além disso, sabemos que pelo fato da tv ser uma concessão pública, inúmeros trâmites políticos e burocráticos impossibilitam o surgimento de novos canais.

Segundo ponto: a resolução. Vendidas de forma notadamente ludibriosa, as tevês de plasma e LCD apresentavam sempre a inscrição “pronta para alta definição”. Sendo que 90% delas não apresentam a resolução 1080p, que será a resolução necessária para rodar a HDTV no seu estágio mais avançado. Dessa forma, muitas pessoas compraram tevês com essa resolução acreditando que estavam comprando tevês prontas para a alta definição. Triste dia será quando descobrirem que terão que trocar de tevê para que disponham da alta definição em sua plenitude.

Terceiro ponto: o custo da alta definição. O nosso “grande ministro” Hélio Costa propagandeou aos mil ventos que o receptor de tevê digital custaria cerca de 200 reais. Surpresa de todos quando descobriram que desembolsarão uns 1000 reais para comprar um aparelho que funciona na resolução de 1080p, sem a tal da interatividade, que só estará disponível nos próximos aparelhos. Sem contar o enorme montante de royalties que serão enviados ao exterior devido à escolha de um padrão estrangeiro.

O que me deixou mais revoltado foi a transmissão oficial, com o presidente e seus ministros falando que a tevê digital veio para democratizar a televisão, dentre outras imbecilidades. Sem nacionalismos babacas ou outras idiotias típicas de alguns discursos de esquerda, eu realmente acredito que a tal da tevê digital não passa de mais um lance político articulado com os setores mais reacionários das corporações das telecomunicações. Relembrando Michael Moore no discurso do Oscar: Shame on you mr Lula, Shame on you!

E agora vamos falar um pouco sobre etiqueta, claro que relacionando com o tema de hoje. Gente, é um horror quando você ta assistindo tevê e a outra pessoa fica trocando de canal sem parar. Isso dá um ódio! Por isso, não fiquem trocando de canal sem parar.

Desculpem pela falta de criatividade e pelo tema meio pesado, semana que vem falarei sobre cinema como é de praxe.

Dica de filme: Sicko (Novo filme do Michael Moore. Deixando de lado todas manipulações e sensacionalismos, Moore é sim um grande documentarista. Recomendo para todos que quiserem refletir sobre a questão: saúde e políticas públicas)

Dica de música: Anti-Flag – The WTO Kills Farmers (“Take back your rights from the IMF, World Bank and Monsanto”)

Piada de advogado da semana:

Sabe qual a diferença do advogado e da cebola?

Resposta: É que quando a gente enfia a faca na cebola a gente chora.

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Now playing: Maria Rita - Mente ao Meu Coração
via FoxyTunes


1 Comment:

Galeto Gritador da Terra dos Gafanhotos said...

Parece que contamninei meus colegas cretinos...

Mas é tudo uma vergonha mesmo! Nada nesse país se faz pelo bem geral, sempre para o bem de alguns. A HDTV e a Copa sao só alguns exemplos.