quinta-feira, 13 de março de 2008

Cinderela, pega seu sapatinho!

Olá, pessoas humanas! Tudo bem? Nem respondam! Como sou parte integrada à sociedade brasileira, isto foi mera função fática… Como dizem: meu “botão prejudique-se” está ligado! Entenda: não dou a mínima para você e suas coisinhas! Sou egocêntrico, usando uma camisa hedonista, calça imoral, combinando com acessórios de várias tonalidades de pragmatismo! Eis o que está em/na moda! Ah! Esqueci: sapatos de cristal!


Mas onde irei encontrar uma super promoção com tudo isso pra eu ficar super in?


Relaxa! Tenho plena certeza que você já usa tudo, só não se deu conta! Alguns incrusive sabem e usam com glamour, em especial os papatinhos, né não, cinderelas?


Pois bem, serei a bruxa malvada (que deixa aquele botão desligado)! Quero quebrar suas refinadas alpargatas e rasgar suas roupinhas! HUA HUA HUA (risada du mal)!


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Comecemos pela vestimenta. Não é de hoje a notória individualidade e o individualismo do brasileiro, com suas infames vertentes, v.g., personalismo político. Algo primorosamente indicado no livro Raízes do Brasil, de Sérgio Buarque de Holanda (1936). Todavia, tal característica vem sendo moldada, freneticamente, numa relação simbiótica, com princípios antiéticos e imorais, que, ao seu turno, destroem qualquer vislumbre de progresso igualitário e visão humanitária do Brasil e dos seus internos.


Nem tenho a pretensão de falar o que seja ético e moral, sequer apontar seus aspectos característicos. Fique isso entre você e sua consciência, analogamente ao que dizem os amiguinhos especialistas em moda: “use o que te faça sentir bem”. Boto fé no bom senso ético geral. Porém, não deixarei de lembrá-lo do “pretinho básico”: amor.


É completamente inviável combinar o modelinho explicitado no começo deste texto (egocentrismo, hedonismo, pragmatismo) sem, em regra, estragar qualquer demonstração de amor, princípio, para mim, mais caro à ética humana, e que sem dúvida deixará você muito mais bem vestido! Não irei desenvolver os porquês das incompatibilidades, nem a relação do amor com a ética... Fazendo-o pensar, “pago-me da tarefa”!


Sapatos de cristal? Não me esqueci deles, prezados cidadãos cinderelas! Os tais pisantes referem-se às suas posturas na política (rá! Também não me esqueci dela!): sempre delicada demais, pronta a espatifar-se em milhões de pedaços; esquecidas nos degraus da democracia, inertes e inúteis para a caminhada; repleta de potencial evolutivo, mas entregue aos príncipes errados; desacreditadas pela meia-noite transformadora do social em individual, do público em privado.


Para que cristal em pés sujos? Pedicure (atenção para o latim cura, ae = cuidado, guarda, curatela) para sanear os pés aflitos! Eu conheço uma ótima: chama-se Ética!


Até lá, amigo, vai de havaiana mesmo, ao menos não machuca o calo!


Dica Política: Nunca usar calçados com numeração diferente da sua.


Dica de Moda: Encha seu guarda-roupa de amor de todos os tipos.

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